Na Constelação Familiar, a cura da criança interior acontece quando o adulto reconhece, acolhe e integra as experiências emocionais vividas na infância que ainda influenciam comportamentos, relações e emoções no presente.

Esse processo é simbólico, terapêutico, e se fundamenta em alguns pilares, como: reconhecimento da dor; honrar pai e mãe como eles são; devolver o que não pertence à criança; e integração da criança interior ao adulto.

Para falar sobre o assunto, conversamos com Cristiana Rebelo, advogada, terapeuta e coautora do livro “Mulheres que transformam Vidas”.

Cristiana, você se formou em Direito, tinha esse desejo de ser advogada, tem uma trajetória profissional e, durante as suas buscas e seus processos terapêuticos chegou à Constelação?

Sim. Eu conheci a Constelação Familiar em 2011, por causa de um assunto particular. E vi, na Constelação Familiar, que a minha vida teve mais propósito, mais sentido. Então, comecei a estudar, a participar de workshops. Viajei, conheci o Bert Hellinger, e percebi que essa dinâmica da Constelação Familiar traz mais leveza para a vida.

Em qual sentido a Constelação pode trazer mais leveza? Ao trabalhar a nossa ancestralidade, ao trazer um trauma à tona para ser trabalhado em terapia? Qual seria esse sentido?

O sentido é que a gente honra nossos ancestrais. Olha para trás e aceita a vida deles como foi; aceita o nosso destino como ele é. Compreende todas as fases da nossa vida, a nossa criança interior, e acolhe a nossa criança para ela viver com mais leveza, ser mais feliz na vida.

Você pode dar um exemplo de como seria esse acolhimento da criança interior? Por que a minha criança interior seria aquela parte de mim que brilha, que sonha, e também que fica sufocada?

A criança interior é a parte de nós que não consegue expressar as nossas necessidades. Então, a gente tem que acolher aquela criança que está ferida, para ela dar lugar ao nosso adulto. E, no campo da Constelação, o que acontece? A gente acolhe a criança interior e fala com ela que quem vai acolher é o adulto que está presente nela.

A gente pode dar um exemplo? Sem citar nomes, sem falar de ninguém, mas um exemplo de como pode ser trabalhado, só para as pessoas entenderem?

A gente coloca a pessoa no campo e olha a criança dela. E a pessoa adulta fala com ela: agora você não precisa de mais ninguém, você tem a mim para seguir a vida e ser acolhida. Então, é mostrar para a criança interior que ela não precisa do mundo externo. Ela já tem o adulto pertencendo a ela.

No campo das terapias existem muitos questionamentos sobre  a Constelação. Eu sei da seriedade do trabalho, como está dentro da PICS, e que é considerada uma terapia complementar. Eu queria que você explicasse isso, que ela não concorre com outras terapias, mas complementa.

Exatamente, a Constelação Familiar complementa todas as terapias. Enquanto as outras terapias trabalham com energia, com a pessoa, a Constelação Familiar vai trazer o estudo sobre os vínculos familiares, transgeracionais. Você trabalha o que está preso, o que não foi reconhecido; aquela pessoa que não foi reconhecida no seu sistema familiar, a excluída, ou lealdades invisíveis. Você pode estar carregando dores que não são suas, mas do membro da família. A Constelação Familiar amplia também o olhar de outras terapias.

Então, a pessoa pode fazer o tratamento dela com psiquiatra, com psicólogo, com Reiki, e a Constelação Familiar…

Exatamente. E traz mais leveza ao processo, mais interação, mais consciência no trabalho, por exemplo. Às vezes, a gente está precisando, alguma coisa na nossa vida está bloqueada e não conseguimos entender. Por exemplo, o relacionamento que não dá certo ou um dinheiro que está parado, ou dores que a gente não entende. Porque a gente está com aquelas dores, tanto emocionais como físicas. Então, a Constelação dá esse olhar mais profundo na vida da pessoa, faz com que ela olhe para essas dores com mais significado. A Constelação Familiar desbloqueia essas dores, que estão no seu inconsciente, ou que você não tem noção de que existem.

O ideal é que as pessoas tenham essa consciência de que estamos falando de terapias complementares, e que ninguém briga com ninguém. Ninguém ocupa o espaço de ninguém. Somos todos unidos em prol da melhoria da vida da pessoa, do bem-estar, da alegria. De uma vida leve e feliz. Seria isso?

Exatamente isso. Há espaço para todos. A constelação familiar nos convida a olhar além do individual e a reconhecer o que pertence ao sistema. Quando algo é visto, o corpo alivia, a alma respira, a vida encontra mais espaço. Talvez não seja sobre mudar você. Talvez seja sobre reconhecer o que veio antes. Com respeito, consciência e um olhar mais amplo. 

Mais informações sobre o trabalho da terapeuta pelo número 031.99296-5776 e no perfil: https://www.instagram.com/crisrebeloconsteladora?igsh=MTgxcTM1cHc2ZTZoaQ%3D%3D

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